Querido Harry,
Tem gente que conta carneirinhos para cair no sono, eu conto batidas de coração. Falando assim, parece piegas, mas foi intrigante quando percebi que, quando você me abraçava por trás antes de dormir, eu podia sentir as batidas de seu coração em minhas costas encostadas em seu peito. Costumo comparar com a sensação de segurar um passarinho: é delicado, palpitante, e vivo, muito vivo. O engraçado é que eu descobri isso me certificando que você não havia morrido durante o sono (você sabe que eu sou meio mórbida). Foi, no mínimo, divertido sentir vida em um momento que eu esperava a morte. E todas as vezes que sinto seu coração acariciando minhas costas eu fico feliz por você existir, mas fico triste por isto me lembrar que você é humano, feito de carne, sangue e ossos. Dependente de um órgão que o da galinha a gente come espetado em um espetinho. Um órgão que é uma bomba e é um relógio: que pulsa vida por seu corpo e que tiquetaqueia, em seus compassos, o tempo que você tem e que lhe resta. É duro se dar conta de nossa fragilidade.
Só queria compartilhar estes pensamentos que, todos os dias, me esmagam. E explicar porque eu te encho tanto para dar uma corridinha na esteira e/ou visitar o cardiologista. É seu coração que me acalma quando entro neste redemoinho de pensamentos e é no ritmo dele que eu tento entrar quando me deixo adormecer.
Boa noite.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Apanhado
Vou escrever um diário endereçado ao futuro. Ele será a máquina do tempo que me ligará à posterioridade. Vou escrevê-lo para os meus netos, bisnetos. Sem desenho na capa, sem pauta, largarei a minha alma em palavras e rabiscos.
~*~
Desesperar-me um pouco diante da solidão não me faz mais fraca que ninguém, me faz humana do jeito mais livre que posso ser.
~*~
O corredor era longo demais para percorrer sozinho. Tinha saudades daquele tempo em que, sentar ali e rir, era um descanso pr'alma. Hoje está todo mundo ocupado demais para isso. Ela se sentiu sozinha diante daquelas paredes cinzentas.
~*~
Sinto ciúmes de seu passado, presente e futuro. Sinto ciúmes de todos os seus tempos verbais e de todas as suas flexões do verbo amar. Quem me dera que todas elas fossem para mim.
~*~
Pensar que o amor é a única coisa realmente boa que o ser humano tem a dar ao mundo faz com que eu me sinta egoísta por querer ser a única e querer ter um único.
~*~
Quero um desenho cheio de marcas, palavras, desenhos. Quero um caderno que ninguém possam ler a não ser eu. Quero tornar palpável a minh'alma em palavras.
~*~
Sardas são pontos de personalidade marcados em pele
~*~
Este mundo é carnal demais pra mim. Sou imaterial demais, sou pura incerteza. Talvez, de fato, eu não pertença a este mundo, eu não pertença a nada. Sinto-me só em minha diferença.
~*~
Quem me dera morrer de mojito. Mergulhar-me em rum, hortelã e soda. Sentir-me quente e fresca por dentro, naquela pista de dança vazia. Quem me dera poder ler a sua mente.
~*~
Sometimes I get nervous, when I see an open dor. Are we human or are we dancer?
~*~
Na ponta da pena estremece os corações dos tolos.
~*~
Receber elogios pecualiares era a sua especialidade. O primeiro foi de um professor de História da Arte, dissera que seu rosto parecia o de uma pintura renascentista. Depois, o dono de um sebo exclamou que seu rosto parecia ter saído de um quadro de Da Vinci. Por fim, o gótico lhe dissera que seus traços tinha tons vitorianos. No ônibus, por estes dias, lembrou, então, que, quando criança, um médium dissera que o seu espírito era antigo demais. Talvez, ela realmente não pertencesse àquela época.
~*~
Não entendia um mundo em que aquela mesma pessoa que se lamentava por passar o dia dos Namorados sozinha, nos outros dias do ano orgulhava-se do número de corações em que pisou.
~*~
Desesperar-me um pouco diante da solidão não me faz mais fraca que ninguém, me faz humana do jeito mais livre que posso ser.
~*~
O corredor era longo demais para percorrer sozinho. Tinha saudades daquele tempo em que, sentar ali e rir, era um descanso pr'alma. Hoje está todo mundo ocupado demais para isso. Ela se sentiu sozinha diante daquelas paredes cinzentas.
~*~
Sinto ciúmes de seu passado, presente e futuro. Sinto ciúmes de todos os seus tempos verbais e de todas as suas flexões do verbo amar. Quem me dera que todas elas fossem para mim.
~*~
Pensar que o amor é a única coisa realmente boa que o ser humano tem a dar ao mundo faz com que eu me sinta egoísta por querer ser a única e querer ter um único.
~*~
Quero um desenho cheio de marcas, palavras, desenhos. Quero um caderno que ninguém possam ler a não ser eu. Quero tornar palpável a minh'alma em palavras.
~*~
Sardas são pontos de personalidade marcados em pele
~*~
Este mundo é carnal demais pra mim. Sou imaterial demais, sou pura incerteza. Talvez, de fato, eu não pertença a este mundo, eu não pertença a nada. Sinto-me só em minha diferença.
~*~
Quem me dera morrer de mojito. Mergulhar-me em rum, hortelã e soda. Sentir-me quente e fresca por dentro, naquela pista de dança vazia. Quem me dera poder ler a sua mente.
~*~
Sometimes I get nervous, when I see an open dor. Are we human or are we dancer?
~*~
Na ponta da pena estremece os corações dos tolos.
~*~
Receber elogios pecualiares era a sua especialidade. O primeiro foi de um professor de História da Arte, dissera que seu rosto parecia o de uma pintura renascentista. Depois, o dono de um sebo exclamou que seu rosto parecia ter saído de um quadro de Da Vinci. Por fim, o gótico lhe dissera que seus traços tinha tons vitorianos. No ônibus, por estes dias, lembrou, então, que, quando criança, um médium dissera que o seu espírito era antigo demais. Talvez, ela realmente não pertencesse àquela época.
~*~
Não entendia um mundo em que aquela mesma pessoa que se lamentava por passar o dia dos Namorados sozinha, nos outros dias do ano orgulhava-se do número de corações em que pisou.
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terça-feira, 11 de maio de 2010
família, ah!
I
Rogério, solteiro, 38 anos e já quase não tinha cabelos no topo da cabeça. Calvice, herança familiar, recessivo na parte do pai, dominante nos genes da mãe. Gostava de jogar bola, mas a barriga, que lhe impedia de tocar os próprios pés, o impedia de ter um bom desempenho em campo. Tendência a engordar, puxou do lado paterno: senhor Afonso, 65 anos e mais de 100 quilos. “Ê, Rogério, por que não rola junto com a pelota?”. O pessoal do escritório ria.
Coitadas são as nossas famílias. Mesmo tendo as melhores das intenções, a culpa de todas as nossas frustrações sempre recai sobre os nossos parentes. Culpa de nossa família, que nos acolhe ou nos expulsa, que nos agrada ou nos repudia.
Era assim. Rogério sempre se sentia claustrofóbico entre as pessoas que passeavam naquela sala apertada. Fumaça de cigarro, cachimbo. Mais tarde culparia o vício paterno e as reuniões familiares pelo câncer na faringe que viria a ter e pelo qual morreria. Em sua mente, ele ironizava a risada retumbante de seu velho pai e a maneira com que Dona Madalena, bonita, olhos azuis vívidos, tentava agradar a todos. Quando chegara, foi recepcionado com aquele carinho típico de mãe. “Mas, meu filho, está cada vez mais gordinho, não?”. Risadas. Fora o primeiro golpe na auto-estima, a primeira casca que soltara da proteção que sempre construía e onde aprisionava um monstro furioso.
Sentado, perto da estante de livros, estava o tio que todos consideravam inválido. Já bastante idoso, mas sem perder aquele brilho inteligente que todo bom leitor sustenta em seu olhar. Alberto usava óculos finos, pousados na ponta de seu odunco nariz. Quase não falava. Nada demais para um velho. Seu silêncio era apenas interrompido às vezes para uma risada singela, sarcástica. Os olhos dos dois homens, em lados opostos da sala, se cruzaram e, junto com o cheiro de pele já idosa, veio a frase “eu também os odeio...”, que ressoou durante todo aquele feriado natalino, como o consolo de que nem todo ódio é único.
II
Você ligou para a residência do Rogério. Favor deixar o recado após o sinal... BIP
Rogério, solteiro, 38 anos e já quase não tinha cabelos no topo da cabeça. Calvice, herança familiar, recessivo na parte do pai, dominante nos genes da mãe. Gostava de jogar bola, mas a barriga, que lhe impedia de tocar os próprios pés, o impedia de ter um bom desempenho em campo. Tendência a engordar, puxou do lado paterno: senhor Afonso, 65 anos e mais de 100 quilos. “Ê, Rogério, por que não rola junto com a pelota?”. O pessoal do escritório ria.
Coitadas são as nossas famílias. Mesmo tendo as melhores das intenções, a culpa de todas as nossas frustrações sempre recai sobre os nossos parentes. Culpa de nossa família, que nos acolhe ou nos expulsa, que nos agrada ou nos repudia.
Era assim. Rogério sempre se sentia claustrofóbico entre as pessoas que passeavam naquela sala apertada. Fumaça de cigarro, cachimbo. Mais tarde culparia o vício paterno e as reuniões familiares pelo câncer na faringe que viria a ter e pelo qual morreria. Em sua mente, ele ironizava a risada retumbante de seu velho pai e a maneira com que Dona Madalena, bonita, olhos azuis vívidos, tentava agradar a todos. Quando chegara, foi recepcionado com aquele carinho típico de mãe. “Mas, meu filho, está cada vez mais gordinho, não?”. Risadas. Fora o primeiro golpe na auto-estima, a primeira casca que soltara da proteção que sempre construía e onde aprisionava um monstro furioso.
Sentado, perto da estante de livros, estava o tio que todos consideravam inválido. Já bastante idoso, mas sem perder aquele brilho inteligente que todo bom leitor sustenta em seu olhar. Alberto usava óculos finos, pousados na ponta de seu odunco nariz. Quase não falava. Nada demais para um velho. Seu silêncio era apenas interrompido às vezes para uma risada singela, sarcástica. Os olhos dos dois homens, em lados opostos da sala, se cruzaram e, junto com o cheiro de pele já idosa, veio a frase “eu também os odeio...”, que ressoou durante todo aquele feriado natalino, como o consolo de que nem todo ódio é único.
II
Você ligou para a residência do Rogério. Favor deixar o recado após o sinal... BIP
Olha, filho. Eu sei que você não gosta de nossas reuniões familiares. Percebo em seu olhar, o modo como foge de meu carinho, como não gosta que eu fale de sua barriguinha na frente de seus tios. Falando nisso, que barriguinha, hein? Lembro de quando a mordia, junto com as dobrinhas do bebê gordinho que você sempre foi. Você vai ser, para sempre, o meu bebê, tá? Tô ligando para dizer que aquele seu tio, o Alberto, morreu. Pois é. Estava inválido já, o coitado, não? Tinha cheiro de gente velha, as vezes eu pensava ver poeira em suas rugas. Enfim, morreu feliz, dormindo na casa de repouso. Percebi que conversaram no último natal. Percebi que vocês se aproximaram naquele feriado, por isso achei que eu mesma precisava te dar esta notícia. Falando nisso, como vai aquele probleminha na garganta? Você precisa ir ao médico, menino! Eu sei que já é grandinho, que já tem 38 anos e bla bla bla, mas sou mãe e o meu coração fica apertado. Estou tentando convencer o seu pai a parar de fumar cachimbo. Deve ser por isso que você tem essa voz tão rouca, o Afonso fumou tanto durante a sua infância. E a análise, como vai? Os probleminhas com a auto-estima, como vão? Espero que bem, lembro de quando você explodiu naquele domingo. Era outra pessoa, era um monstro, não o reconhecia. Ai, filho, desculpa falar assim, dessas coisas agora. É que estou preocupada. Só espero que a morte do Alberto não piore a sua situação. E o pessoal do escritório? Ainda rindo da sua pancinha? Espero que o futebol de quinta-feira esteja fazendo efeito sobre o seu peso. Outra coisa, comprei um remédio para calvice ótimo, um que eu lembro que o meu pai usava. Ele faz crescer cabelo! É ótimo, meu filho. Estou mandando amanhã mesmo, tá bom? Bom, vou indo. O velório vai ser hoje, durante a noite, e o enterro amanhã. Apareça se puder. Te amo, filhinho querido, piquituxo da mamãe.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
...
Ás vezes, quando a noite cai, a cabeça enche. É muito passado, é muito presente, é muito futuro para se pensar. A vontade de largar tudo lhe sobe a garganta, junto com aquele nó que não desata nunca. E os olhos molham mornamente, junto com a ardência salgada típica. Por trás do riso solto, vivia a melancolia. Sentia saudades de tantas coisas, que as vezes esquecia das quais. Ansiava a volta daquele conversa entre amigas, daquelas ligações no meio da tarde, daquele amigo cibernético, daqueles tempos madrugais. Por isso, ligou o rádio e foi deitar-se. Aquele era seu refúgio: os lençóis amassados pela noite anterior e a voz doce que saía das caixas de som. Seu maior problema foi crescer.
quarta-feira, 3 de março de 2010
divã
As unhas meio comidas, o anel predileto no dedo indicador. Lá fora, a cidade passava no início de seu descanso, enquanto a caneta deslizava em garranchos no caderninho. Nunca foi uma garota de contos. Sempre gostou das emoções sentidas, dos beijos beijados, dos abraços dados. Não se importava com o sacolejo do ônibus: a música tocava calma em seus fones de ouvido e usava seus sapatos mais confortáveis. Ela gostava de seu trajeto para casa, era um momento só seu. Era ela, sua playlist infinita, um livro embaixo do braço e o bloquinho de notas. Melhor do que em um divã, na folha em branco, ela se descascava em pingos dos ís e em curvas dos cês.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Enquanto isso na redação...
Atchim!
Atchim!
Atchim!
- Tenho alergia a vocês. Sempre espirro mais aqui...
tec tec tec, fez a redação.
- Vou começar a usar uma bolha de plástico de proteção, que nem o Jimmy Bolha...
O chefe da menina olha para ela, meio curioso.
- Aí, como terei necessidades especiais, o jornal terá que se adaptar a elas e aparecerei na novela das oito como um exemplo de superação.
O chefe abaixa a cabeça, tentando lembrar do porquê de tê-la contratado. Agora parece tão irreal...
- E como você será revoltadinha vai ficar jogando papel, lápis, caneta na gente, não é mesmo? - ele disse
- Exatamente. E vocês não poderão fazer nada, pois serei PORTADORA DE NECESSIDADES ESPECIAIS. Além de que a bolha de plástico me protegerá... - ela fala sério, enquanto termina de fazer seus afazeres.
- De onde ela tira esse tipo de coisa? - o chefe pergunta à outra estagiária.
ATCHIM!
Atchim!
Atchim!
- Tenho alergia a vocês. Sempre espirro mais aqui...
tec tec tec, fez a redação.
- Vou começar a usar uma bolha de plástico de proteção, que nem o Jimmy Bolha...
O chefe da menina olha para ela, meio curioso.
- Aí, como terei necessidades especiais, o jornal terá que se adaptar a elas e aparecerei na novela das oito como um exemplo de superação.
O chefe abaixa a cabeça, tentando lembrar do porquê de tê-la contratado. Agora parece tão irreal...
- E como você será revoltadinha vai ficar jogando papel, lápis, caneta na gente, não é mesmo? - ele disse
- Exatamente. E vocês não poderão fazer nada, pois serei PORTADORA DE NECESSIDADES ESPECIAIS. Além de que a bolha de plástico me protegerá... - ela fala sério, enquanto termina de fazer seus afazeres.
- De onde ela tira esse tipo de coisa? - o chefe pergunta à outra estagiária.
ATCHIM!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
devagar, divagando...
'Talvez seja isso'
Sentada no banco de praça, vendo os transeuntes passar, ela pensava. Simples assim. Ela pensava como nunca tinha deixado de pensar. A garota, dos tênis surrados e dos fones de ouvido, sempre considerara que este era o seu maior defeito. Pensava tanto que ela acabava esquecendo do porquê de estar pensando. De perder tempo por estar pensando ela sentia que o mundo acontecia sem ela. Por ficar divagando, devagar, ela percebia que poderia estar sentindo muito mais do que estava. Talvez se ela desamarrasse aquela cordinha que a prendia ao chão..... 'Oh, não... perigoso demais.' Autopreservação. Outro de seus problemas. De pensar e de se autopreservar ela não experimentou o gosto da terra quando criança, não comera caquinha de nariz, não pulara do trepa-trepa. E de pensar e de se autopreservar ela acredita que nunca voltará a se apaixonar. 'Posso me esconder agora?', ela perguntou, por fim. O que ela não sabia é que já estava se escondendo há muito tempo. Aquela pulga atrás da orelha, aquela desconfiança excessiva nunca a deixara brincar de viver.
Sentada no banco de praça, vendo os transeuntes passar, ela pensava. Simples assim. Ela pensava como nunca tinha deixado de pensar. A garota, dos tênis surrados e dos fones de ouvido, sempre considerara que este era o seu maior defeito. Pensava tanto que ela acabava esquecendo do porquê de estar pensando. De perder tempo por estar pensando ela sentia que o mundo acontecia sem ela. Por ficar divagando, devagar, ela percebia que poderia estar sentindo muito mais do que estava. Talvez se ela desamarrasse aquela cordinha que a prendia ao chão..... 'Oh, não... perigoso demais.' Autopreservação. Outro de seus problemas. De pensar e de se autopreservar ela não experimentou o gosto da terra quando criança, não comera caquinha de nariz, não pulara do trepa-trepa. E de pensar e de se autopreservar ela acredita que nunca voltará a se apaixonar. 'Posso me esconder agora?', ela perguntou, por fim. O que ela não sabia é que já estava se escondendo há muito tempo. Aquela pulga atrás da orelha, aquela desconfiança excessiva nunca a deixara brincar de viver.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Ando me expondo demais. Esse blog está sendo visitado demais para eu continuar a escrever tudo o que eu gostaria de escrever. Mas, ultimamente, escrever está sendo uma ótima válvula de escape. Gosto de escrever, mas não gosto que leiam o que escrevo. Porém, pior que tudo isso, é que eu preciso que leiam, preciso que tentem entender como me sinto. E não é só nas coisas ruins, mas nas boas também... naqueles textos com gosto de saudades ou em outros com o nuance salgado de lágrimas. Cansei de me fechar numa conchinha. Ela estava lotada demais e já me faltava o ar. Só tenho medo de me podar exatamente por eu saber que pessoas que conheço andam lendo esse blog. Anônimos, amigos e mixuruqueiros. Todos vocês, obrigada por tentar entender essa mente que sempre foi, mas anda ainda mais confusa. Juro que tudo está voltando a seu lugar.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Não leia
Ela fez uma burrada. Abriu um antigo arquivo de word repleto de palavras doces. Palavras essas que ela já não via muito sentido e que agora só lhe fazia mal. Logo ela, que sempre fora uma espectadora de sua própria vida, estava agora vivendo um dramalhão mexicano. O pior, é que ela sabe que pode sair dessa e que deveria fazê-lo, mas suas pernas não tem força, lhe falta fôlego e uma mão para lhe empurrar. Engraçado como as coisas podem ir da água pro vinho, aquilo que lhe fazia imensamente feliz, agora a derrubava sem ela nem saber porquê. Não foi muito, não foram tantas histórias, mas ela não conseguia se desvencilhar de um emaranhado de lembranças e sentimentos. Talvez, se existisse alguém que a pudesse ajudar assim como ela tentou ajudar, as coisas poderiam ser mais fáceis. Aquele ninho que a acolhia tão bem, agora a prendia sob garras afiadas. Aquelas sensações que lhe faziam sorrir, agora a faziam sentir como a pior criatura do mundo. E ele riu quando ela disse que tinha baixa auto estima. Se ela fosse segura de si, deixaria de se apoiar em alguém que, ao mesmo tempo lhe fazia bem, tinha a estranha necessidade de lhe machucar. E daquelas formigas que costumavam andar em seu coração, só sobrou o veneno.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Meninas também amam
O chão não lhe parecia tão confortável quanto antigamente. Sua nuca latejava em encontro com o carpete sujo e seu nariz coçava por causa do pó que subia, mas ela não ligava. Dividia os fones de ouvido do mp3 com uma amiga, uma boa amiga, que até pouco tempo lhe estava acariciando a cabeça e dizendo que tudo ficaria bem, que era só "o início da vida adulta". Ah, se aquele sufoco no peito, aquela nebulosa que lhe ocupava a mente era a entrada para a vida de gente grande, ela preferia viver em seu mundinho de gente pequena. Mas, naquele momento, com o sol entrando pela parede de vidro, ela não se importava. Se sentia consolada por aquela pessoa que conhecia há pouco, mas que já havia lhe dado mais apoio do que pessoas que passaram a vida toda com ela. A menina, então, só conseguiu virar o rosto pra expressão adormecida da amiga ao lado e sorrir. Um sorriso molhado, mas grato.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
breve #2
ela decidiu se apegar ao desapego. afinal, toda garota vadia, um dia foi uma garota magoada.
they made a statue of me
estranho é o seu mundo entrar em um redemoinho, suas emoções ganharem vida nova, sua mente se fechar em um tempestade, as pessoas ganharem novos rostos, o passado perder o significado. e mais estranho ainda é não ter forças para encarar tudo isso, ficar sentado em um sofá velho no meio da bagunça, se deixar levar pelos impulsos mais humanos e infantis. as pessoas perguntarem se você está bem e você simplesmente fingir que nada aconteceu.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
rotina
Todo dia ela faz a mesma coisa. Chega em casa, joga as coisas no sofá, liga o computador, coloca a água pra ferver, abre a porta da varanda. Todo dia ela escolhe uma trilha sonora, abre a janela do quarto, liga o chuveiro e larga a roupa pelo chão. Todo dia ela senta na frente do notebook, lê um pouco, fala um pouco, se entedia um pouco. Todo dia ela acorda esperançosa, almoça cansada e vai dormir derrotada. Todo santo dia é tudo isso. Todos os dias parecem iguais.
domingo, 25 de outubro de 2009
madrugada
6 da manhã. sentados no chão da sala, dividiam um saco de rosquinhas de côco como duas crianças travessas. pela garganta, desciam goles generosos de coca cola e de seus pensamentos, coisas bobas e sérias ao mesmo tempo. à luz baixa, os pés descalços se encostavam meio sem querer. enquanto isso, os dois riam das ironias da vida, um riso cheio de açúcar e farelos de biscoito. e do rádio, uma voz doce feminina cantava a mesma música uma vez atrás da outra. a mesma canção, várias vezes seguidas, mas a cada vez, uma razão diferente.
tudo isso acontecia. toda a conversa/silêncio fluía. biscoitos eram mastigados, copos de refrigerantes eram tomados. e a garota só conseguia pensar:"um dia coloco essa cena em um filme!"
são cenas inusitadas que só a realidade pode nos dar.
tudo isso acontecia. toda a conversa/silêncio fluía. biscoitos eram mastigados, copos de refrigerantes eram tomados. e a garota só conseguia pensar:"um dia coloco essa cena em um filme!"
são cenas inusitadas que só a realidade pode nos dar.
sábado, 24 de outubro de 2009
sobre a noite
Com os fones de ouvido e seu par de tênis preferido, ela saiu pelas ruas, sujando a lona do all star amarelo, ouvindo canções de ninar no aparelho de mp3.
A cidade dormia, a madrugada reinava, mas os olhos atentos da menina não deixavam escapar nem mesmo um detalhe daquela paisagem que tanto conhecia. Por ali, ela passava todos os dias: da faculdade para o trabalho, do trabalho para casa. Mas naquele momento, o ambiente ganhava novos tons, um cheiro diferente, ares do hibrido entre uma noite velha e um novo dia.
Se ela pudesse, ficaria ali, parada no canteiro central, olhando para a imensidão que era aquela avenida tão movimentada sob o sol, mas que descansava sob a luz da lua.
A madrugada lhe chamava. Naquele momento, ela se sentia acolhida pela cidade, mas a pessoa mais solitária no meio daquela selva de pedra.
E uma solitária pérola salubre escorreu sobre a pele clara da menina.
A cidade dormia, a madrugada reinava, mas os olhos atentos da menina não deixavam escapar nem mesmo um detalhe daquela paisagem que tanto conhecia. Por ali, ela passava todos os dias: da faculdade para o trabalho, do trabalho para casa. Mas naquele momento, o ambiente ganhava novos tons, um cheiro diferente, ares do hibrido entre uma noite velha e um novo dia.
Se ela pudesse, ficaria ali, parada no canteiro central, olhando para a imensidão que era aquela avenida tão movimentada sob o sol, mas que descansava sob a luz da lua.
A madrugada lhe chamava. Naquele momento, ela se sentia acolhida pela cidade, mas a pessoa mais solitária no meio daquela selva de pedra.
E uma solitária pérola salubre escorreu sobre a pele clara da menina.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
dolce
meu hidratante é creme de baunilha e meu perfume, açúcar.
uso gloss de calda de morango e shampoo de chantilly.
visto-me de granulado e me enfeito em confete...
tudo isso para tentar adoçar essa vida amarga, tão amarga.
uso gloss de calda de morango e shampoo de chantilly.
visto-me de granulado e me enfeito em confete...
tudo isso para tentar adoçar essa vida amarga, tão amarga.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
notas norturnas
O mundo era pequeno demais perto de seus pensamentos e, de costas pra ele, ela procurava uma saída. Sentia que estava predestinada a ser um nada e deixava-se ser absorvida por osmose por aquele mundo faminto.
Por isso ela ouvia o som do envelhecimento vindo do relógio e observava a cidade para não ser vista. Camuflava-se no mistério, pois era um cordeiro vestido de lobo mau. De cada sorriso dela nascia um borrão de dor.
Sentada na calçada da rua suja, ela via deslumbres de vida vindo das luzes do prédio logo a frente. Ali encontrava uma colcha de retalhos do cotidiano. Uma rotina da qual ela não fazia parte e se sentia deslocada.
Acalentar-se naqueles dias frios foi sua saída para solidão. Sem notar, acabou sorrindo ao ver um cachorro passar. E a fagulha de seu sorriso incendiou o coração do moço que a observava...
Sentada na calçada da rua suja, ela via deslumbres de vida vindo das luzes do prédio logo a frente. Ali encontrava uma colcha de retalhos do cotidiano. Uma rotina da qual ela não fazia parte e se sentia deslocada.
Acalentar-se naqueles dias frios foi sua saída para solidão. Sem notar, acabou sorrindo ao ver um cachorro passar. E a fagulha de seu sorriso incendiou o coração do moço que a observava...
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
crisis detected
Gosto do escuro, mas não aguento mais ser esmagada por esse breu total. E eu sei que essa escuridão não vem de fora pra dentro, mas de dentro pra fora. São os meus sentimentos obscuros, a angústia e a ansiedade que insistem em me devorar.
Como me livrar de algo que tem sua fonte instalada dentro de mim mesma? Como evitar que esse animal me arraste para o lugar longíquo das lágrimas sem razão?
Eu poderia ficar bem por pelo menos mais de uma semana, não? Mas não, esse mesmo bicho nervoso e negro se remexe dentro do meu estômago. Esse monstro inquieto consegue até mesmo inibir as graciosas patinhas das formigas que, nos bons dias, caminham pelo meu coração.
Por isso eu ando escrevendo. Sempre brinquei que sou uma rockeira frustrada, mas (re) descobri na palavra o meu instrumento musical.
Como me livrar de algo que tem sua fonte instalada dentro de mim mesma? Como evitar que esse animal me arraste para o lugar longíquo das lágrimas sem razão?
Eu poderia ficar bem por pelo menos mais de uma semana, não? Mas não, esse mesmo bicho nervoso e negro se remexe dentro do meu estômago. Esse monstro inquieto consegue até mesmo inibir as graciosas patinhas das formigas que, nos bons dias, caminham pelo meu coração.
Por isso eu ando escrevendo. Sempre brinquei que sou uma rockeira frustrada, mas (re) descobri na palavra o meu instrumento musical.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
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