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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O som do gozo alheio.

Vizinha 1: Com licença, será que a senhora e a sua família poderiam parar de fazer tanto barulho todo dia depois da meia-noite?

Vizinha 2: Só se você parar de gemer alto às 10h.

Vizinha 1: A partir das 8h eu posso fazer o barulho que eu quiser. Após as 22h, lei do silêncio, minha filha.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu e Jane Austen

Tenho uma relação um tanto engraçada com Jane Austen. Escrevo isso depois de assistir, pela quinta vez, a adaptação cinematográfica de Orgulho e Preonceito, livro que li, também, por cinco vezes. Eu o li, pela primeira vez, quando estava no Ensino Médio. Eu devorei toda a bibliografia da escritora, porém, o meu preferido continua sendo a história da família Bennet. Se você me perguntar sobre o enredo, direi que não é nada que você já não tenha visto em comédias românticas por aí. No entanto, esta obra tem três elementos cruciais que faz eu me apaixonar por ela e que decidi elencar aqui:

Keira Knightley como Elizabeth Bennet, no filme Orgulho e Preconceito (2005)


1 - Elizabeth Bennet
Apesar de viver no século XVII, a segunda filha da família Bennet não é nada desmiolada. Ela é inteligente, tem suas próprias opiniões, sabe que não é tão bonita quanto a sua irmã mais velha, Jane, mas, mesmo assim, é tão atraente quanto. E, diferentemente do que muitas mocinhas por aí, ela tem defeitos: é um tanto preconceituosa (no sentido de sempre acreditar apenas nas primeiras impressões) e só perdoa qualquer ofensa a muito custo. Só pelo fato de não ser perfeita, Lizzie ganhou de todas as heroínas.

2 - Os diálogos
Como era comum na época, as pessoas usavam palavras bastante polidas e construções mais elaboradas. Nem por isso, o sarcasmo e a ofensa ficava de lado. O mais legal de Orgulho e Preconceito é, a cada vez que você o lê, você descobre mais uma frase irônica ou ofensiva escondida por trás de palavras tão bonitas.

Carey Mulligan (à esquerda) e Jena Malone como Kitty e Lydia

3 - O ridículo
Você sente vergonha. Muita vergonha das irmãs mais novas de Elizabeth. Você quer trucidá-las, chacoalhá-las até elas perceberem o quão retardadas são. E, o melhor, se você realmente fizesse isso, elas nem ligariam, pois elas estão crentes que estão fazendo o que há de mais normal. Elas não estão nem aí para você. E isso te irrita o tempo todo. Uma curiosidade é que Carey Mulligan, atriz que ganhou destaque após ser indicada ao Oscar de melhor atriz por Educação, estreou no cinema como a Kitty, uma das irmãs desmioladas.

Eu poderia citar, também, o Mr. Darcy. No entanto, como alguns críticos dizem por aí, o personagem é um tanto plano em comparação com a protagonista, Elizabeth. Mas, se quiser saber, mais ou menos, como ele realmente é, tome como parâmetro o Mr. Darcy de O Diário de Bridget Jones, livro um tanto bobo que tem referências muito claras à história de Jane Austen. Outra obra mais recente que é inspirada em histórias da autora é As Patricinhas de Beverly Hills, filme baseado no livro Emma, de 1815.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

and she fights for her life...

Aquelas manhãs em que o sol brinca com o seu rosto sonolento. Que o ar, mesmo alegre, é friozinho daquele jeito fanfarrão, te chamando para brincar com a neve, com a grama molhada, com a terra gelada. O cabelo bagunçado, os olhos meio remelentos, o sorriso renovado. O dia perfeito. Os sonhos são sempre bons, mas são das manhãs que eu mais sinto saudade.

terça-feira, 29 de junho de 2010

breve #18

Muitos antes de refletirem os meus desejos, os meus sonhos refletem os meus medos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Everday feeling all of the magic in life and wonder...



Eisley - Marvelous Things

Darth Stevo | Vídeo do MySpace

Dark night, hold tight, and sleep tight
My baby
Morning light shall burst bright
And keep us here safely

I followed a rabbit
Through rows of mermaid entwined Shrubbery
Ah ah....
Oh what marvelous things but, they are, they are, they are
Giving me the creeps

______________________
Talvez, uma das coisas mais doces que já escutei, foi um colega dizer que esta música o faz lembrar de mim.

E ela me pegou assim, fácil.


ps: a qualidade está péssima, mas preste atenção apenas na canção.

...

Ás vezes, quando a noite cai, a cabeça enche. É muito passado, é muito presente, é muito futuro para se pensar. A vontade de largar tudo lhe sobe a garganta, junto com aquele nó que não desata nunca. E os olhos molham mornamente, junto com a ardência salgada típica. Por trás do riso solto, vivia a melancolia. Sentia saudades de tantas coisas, que as vezes esquecia das quais. Ansiava a volta daquele conversa entre amigas, daquelas ligações no meio da tarde, daquele amigo cibernético, daqueles tempos madrugais. Por isso, ligou o rádio e foi deitar-se. Aquele era seu refúgio: os lençóis amassados pela noite anterior e a voz doce que saía das caixas de som. Seu maior problema foi crescer.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

...

O frio lhe batia a face, que avermelhava. O nariz sardento já estava rosa, mas ela não ligava. Gostava daquela sensação e se escondia embaixo do cachecol. A lã fazia cócegas e lhe dava vontade de espirrar, mas isso não atrapalhava o pouco aconchego. Era assim, todos os dias, enquanto andava o seu caminho costumeiro. Os mesmos passos, o mesmo sono, o mesmo céu. Mas, a cada dia, era uma garota diferente que sentia os pés gelarem dentro do par de tênis surrado. O mesmo par que, há pouco tempo, era acompanhado por outro par de All Star gastos e cheio de histórias. Era assim a vida, não? Estava sozinha, mas embaixo do braço carregava um livro. Não era nada de especial, mas falava de uma noite longa, música e tinha boas piadas. Era assim, se apegava a uma história e queria vivê-la, de qualquer forma. Se imaginava dentro de um furgão, viajando embaixo do céu estrelado. Sozinha. Era uma alma solitária, apesar de estar sempre acompanhada por zilhões de pessoas. Era ela, sua mente e seus tênis. Ela gostava da companhia deles, e eles gostavam do balanço de seus cachos. Talvez seja por isso que todo mundo insistia em chamá-la de autista... e ela gostava de ter seu próprio mundo embaixo de seu cachecol aconchegante.

terça-feira, 2 de março de 2010

uma carta para um individuo

te amo, sem saber porque. te odeio por me fazer dizer isso quando estamos cada um em sua cama, e, em vez de um sorriso, lágrimas molhando o rosto. quero ser a sua home. que nem naquele filme que assistimos. te espero aqui com os meus braços abertos para te abraçar. porque, parafraseando a rita, abraçar é encostar dois corações. e quero encostar o meu coração no seu. você me faz mais feliz mesmo com este seu jeito tortinho e eu gosto da sua presença mesmo com este meu jeito implicante. você sempre faz eu rir mais um pouco. a minha tristeza pode ser crônica, mas o seu cafuné me aquece na minha caverna de gelo.

obrigada por tudo.

e um dia surrupio uma camiseta sua só para me fazer companhia nos dias que eu estiver com medo do coelho Frank...

ps: nunca mais me faça te pedir em namoro. quero ser donzela da próxima vez...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

breve #10

Intimidade são mãos que se fundem, sem precisar de razões ou justificativas...

E. G.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

tudo o que é meu...

ando diferente. essa não sou eu. ei, você que se apossou do meu corpo, devolva-me. quero ele de volta sem essas babonices. nunca fui babona... não o serei agora. quero tudo de volta, os olhos castanhos esverdeados, a boca bicuda, as buchechas salientes, os dentinhos da frente. também quero que devolva a verruguinha nas costas e as covinhas do rosto. tudo isso empacotado, equilibrado, revisado. trate de ficar com estas aflições, isso não é meu, mas a sardas, sim, essas são minhas. tudo bem organizado, viu? nada fora do lugar. não esqueça da largatinha... essa mesma, a cicatriz no braço. mas, principalmente, devolva-me a confiança... ela faz falta.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

breve #6

Ela acordou assustada, virou para a parede e começou a chorar. Entre os soluços, escutava uma voz rouca, porém branda, de quem acabou de despertar. O rapaz perguntava o que havia acontecido, enquanto a abraçava pelas costas. Com o rosto já molhado pelas lágrimas grossas ela só conseguiu sussurrar que tinha sido um sonho ruim. Deixa eu me acalmar... Ela odiava quando tinha pesadelos e esquecia que só estava sonhando, que nada daquilo era verdade. Enquanto isso ele afagava os seus cabelos revoltos e esperava a respiração da garota voltar ao normal. É, o cara que me tratava tão mal no sonho não pode ser o mesmo que me abraça agora... Ela fechou os olhos e beijou o braço dele enquanto sentia a última lagrima escorrer até o travesseiro.

devagar, divagando...

'Talvez seja isso'
Sentada no banco de praça, vendo os transeuntes passar, ela pensava. Simples assim. Ela pensava como nunca tinha deixado de pensar. A garota, dos tênis surrados e dos fones de ouvido, sempre considerara que este era o seu maior defeito. Pensava tanto que ela acabava esquecendo do porquê de estar pensando. De perder tempo por estar pensando ela sentia que o mundo acontecia sem ela. Por ficar divagando, devagar, ela percebia que poderia estar sentindo muito mais do que estava. Talvez se ela desamarrasse aquela cordinha que a prendia ao chão..... 'Oh, não... perigoso demais.' Autopreservação. Outro de seus problemas. De pensar e de se autopreservar ela não experimentou o gosto da terra quando criança, não comera caquinha de nariz, não pulara do trepa-trepa. E de pensar e de se autopreservar ela acredita que nunca voltará a se apaixonar. 'Posso me esconder agora?', ela perguntou, por fim. O que ela não sabia é que já estava se escondendo há muito tempo. Aquela pulga atrás da orelha, aquela desconfiança excessiva nunca a deixara brincar de viver.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

the life fucking hurts...

Andrew: Fuck, this hurts so much.

Sam: I know it hurts. That’s life. If nothing else, It’s life. It’s real, and sometimes it fuckin’ hurts, but it’s sort of all we have.

(Garden State)

De todos os quotes de filme que conheço, talvez este seja com o qual eu mais concordo. Garden State mexeu comigo. Não sei exatamente em que, mas algo em mim mudou. E não é nada ruim, é algo bom, realmente bom. Talvez, apesar de ter vontade de morrer um pouco e esquecer o mundo, vivê-lo também seja uma boa opção.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Patati, patacolá

Patas sabem andar, mas não como gente. Sabem voar, mas não como pássaros. Sabem nadar, mas não como peixes. Patas sabem fazer tudo, mas não são especializadas em nada. Servem de abrigo para os filhotes e alegram as crianças com o seu jeito desengonçado. Eu sou uma pata. Não sou notória/impressionante/graciosa em nada. Ando pelo mundo a passos incertos e sempre assustadiça. Conquisto os meus pela minha espontâneidade de rir dos meus próprios problemas e pelo meu jeito atrapalhado de levar a vida. Se você não gosta de patos, não sei o que está fazendo aqui.

Quack.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

lapso noturno


Ás vezes eu sinto um comichão que vai do centro do meu peito para as pontas dos dedos das minhas mãos e pés. É uma vontade louca de colocar o pouco da minha vida dentro de uma mochila e sair por aí. Pegar um ônibus para lugar nenhum, sentar onde nunca imaginei que sentaria e conversar com pessoas que não conheceria em outra situação.
Tenho vontade de juntar os meus amigos para andarmos pela noite sem qualquer rumo. Encontrar em cada casa, cada poste um motivo para risadas e um pouco de diversão. E no meio dessas risadas sentir a mão de alguém segurar a minha e então trocarmos o melhor dos sorrisos.
Dentro de mim se encontra a insatisfação de estar parada. A insaciedade de estar sozinha.
Quero abraçar o mundo mas os meus braços não são grandes o bastante. E sou covarde para entregar o meu coração a ele.

domingo, 25 de outubro de 2009

madrugada

6 da manhã. sentados no chão da sala, dividiam um saco de rosquinhas de côco como duas crianças travessas. pela garganta, desciam goles generosos de coca cola e de seus pensamentos, coisas bobas e sérias ao mesmo tempo. à luz baixa, os pés descalços se encostavam meio sem querer. enquanto isso, os dois riam das ironias da vida, um riso cheio de açúcar e farelos de biscoito. e do rádio, uma voz doce feminina cantava a mesma música uma vez atrás da outra. a mesma canção, várias vezes seguidas, mas a cada vez, uma razão diferente.

tudo isso acontecia. toda a conversa/silêncio fluía. biscoitos eram mastigados, copos de refrigerantes eram tomados. e a garota só conseguia pensar:"um dia coloco essa cena em um filme!"

são cenas inusitadas que só a realidade pode nos dar.

sábado, 24 de outubro de 2009

breve #1

gosto de me encontrar em versos de música, em falas de filmes, em trechos de textos. gosto de encontrar um pouco de mim em você.
Close your brown eyes
And lay down next to me
Close your eyes, lay down
'Cos there goes the fear
Let it go

Think of me when you close your eyes
But don't look back when you break all ties
Think of me when you're coming down
But don't look back when leaving town today

there goes the fear - doves

sobre a noite

Com os fones de ouvido e seu par de tênis preferido, ela saiu pelas ruas, sujando a lona do all star amarelo, ouvindo canções de ninar no aparelho de mp3.
A cidade dormia, a madrugada reinava, mas os olhos atentos da menina não deixavam escapar nem mesmo um detalhe daquela paisagem que tanto conhecia. Por ali, ela passava todos os dias: da faculdade para o trabalho, do trabalho para casa. Mas naquele momento, o ambiente ganhava novos tons, um cheiro diferente, ares do hibrido entre uma noite velha e um novo dia.
Se ela pudesse, ficaria ali, parada no canteiro central, olhando para a imensidão que era aquela avenida tão movimentada sob o sol, mas que descansava sob a luz da lua.
A madrugada lhe chamava. Naquele momento, ela se sentia acolhida pela cidade, mas a pessoa mais solitária no meio daquela selva de pedra.

E uma solitária pérola salubre escorreu sobre a pele clara da menina.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Laying back, head on the grass
Children grown having some laughs
Yeah having some laughs.

Sleeping in the back of my car
We never went far
Needed to go far

I don't know where we are going now

So take a look at me now

dakota - stereophonics
foto: Adams Fehlauer