Mostrando postagens com marcador adoray. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adoray. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Eu tive um balão...

Talvez, a última vez que me senti verdadeiramente feliz foi quando eu ganhei um balão. Aos 20 anos, saía de um dia desastroso no trabalho quando me deparei com um moço me esperando e, surpreendentemente, segurando um balão rosa. Não consegui olhar para nenhum outro lugar além daquela bola flutuante. Senti, assim, sem querer, os meus olhos brilhando diante de uma cena tão improvável. Depois, dei risada ao ver o marmanjo pulando para conseguir resgatar mais dois balões que estavam perdidos no teto da entrada do prédio. Fui caminhando até o ponto de ônibus ostentando três bolas rosas. Andava com o peito estufado e não conseguia tirar os olhos deles. Lembrei-me da infância, das enormes bolas que eu comprava quando ia ao Parque do Carmo, do meu medo de bexigas, dos meus dias mais pueris. "Eu os peguei para que você pudesse soltá-los". Comprei um alfajor e, enquanto atravessava a avenida Cidade Jardim, decidi dar a liberdade ao trio que alegrou o meu domingo desastroso. No canteiro central, eu os vi flutuar até bem alto, até eles fugirem do alcance da minha visão debilititada pela miopia. Enquanto terminava o meu doce, o moço apontava para o céu dizendo que ainda conseguia vê-los. Já eu não me importava mais aonde eles estavam, continuei deliciando-me com a lembrança de como tinha sido feliz enquanto tive aqueles três balões rosa.


terça-feira, 18 de maio de 2010

olhos de ressaca


Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.

Dom Casmurro - Machado de Assis

Não sei se tenho feições muiito peculiares, mas ouço os elogios mais inusitados. E gosto deles. O mais comum é dizerem que pareço uma pintura renascentista ou uma mulher vitoriana. Segundo uma amiga, é tudo culpa das bochechas salientes e da boca meio bicuda. A primeira vez que ouvi algo do tipo foi no meu segundo ano de colegial, de um professor de História. Depois a história se repetiu em um sebo da Augusta, quando o vendedor disse que eu parecia uma pintura do Da Vinci. Porém, o elogio que guardo com mais carinho é o de um amigo, que disse que tenho olhos de ressaca, assim como os da Capitu. Não acredito, acho os meus castanhos tão sem vida, mas gosto de pensar que posso ser tempestuosa e tragante, tanto quanto a moça que enfeitiçou Bentinho. Tá bom que não sou a maior fã de Machado de Assis, mas guardo boas lembranças deste quote que já esteve no meu falecido fotolog.


terça-feira, 11 de maio de 2010

the breakfast club



Saturday, March 24,1984. Shermer High School, Shermer, Illinois, 60062. Dear Mr. Vernon, We accept the fact that we had to sacrifice a whole Saturday in detention for whatever it was we did wrong. What we did "was" wrong. But we think you're crazy to make us write an essay telling you who we think we are. What do you care? You see us as you want to see us - in the simplest terms, in the most convenient definitions. You see us as a brain, an athlete, a basket case, a princess and a criminal. Correct? That's the way we saw each other at 7:00 this morning. We were brainwashed.

The Breakfast Club, conhecido por aqui como O Clube dos 5, poderia ser apenas mais um filme adolescente. Mas, não, é muito mais que isso. É inquietante, engraçado e, ao mesmo tempo, reconfortante. Enfim, mais um filme que deixa uma sensação em mim. Se boa ou ruim, isso não importa.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

lost at sea, as i should be

The mystery of salt and sea oh ho ho
Has never been intriguing oh ho ho
And to me but the sea
Green is set so beautifully
Against your thoughtful face
That I must close my eyes
And turn my face

Still floating soft
I am dreaming and I'm glad I lost
And still with my fingers
I'm drawing circles in the water
In the water
And still, still you're always there

lost at sea - eisley

terça-feira, 30 de março de 2010

Reflections of a Skyline

Você pode ser moderno, ter um relacionamento aberto, ser conservador, querer se casar, não querer se casar, ser homossexual, heterossexual, pansexual, frígido, putão/putona, loiro, moreno, ruivo, brasileiro, americano, jovem, velho, negro, branco, difícil, fácil, se apaixonar fácil, nunca se apaixonar, bonito ou feio, mas, com certeza, você ama deste jeito:


Vídeo lindo. Talvez a melhor definição do que é amar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

the life fucking hurts...

Andrew: Fuck, this hurts so much.

Sam: I know it hurts. That’s life. If nothing else, It’s life. It’s real, and sometimes it fuckin’ hurts, but it’s sort of all we have.

(Garden State)

De todos os quotes de filme que conheço, talvez este seja com o qual eu mais concordo. Garden State mexeu comigo. Não sei exatamente em que, mas algo em mim mudou. E não é nada ruim, é algo bom, realmente bom. Talvez, apesar de ter vontade de morrer um pouco e esquecer o mundo, vivê-lo também seja uma boa opção.

where the wild things are

Estou completamente apaixonada. Pelo Max vestido de lobo, pelo devorador Carol e por todos os outros monstrengos que só ficam cada vez mais doces enquanto Where The Wild Things Are passa na tela do cinema. Quero todos eles pra mim, até mesmo o Buffalo com cara de bravo. Eu os apertaria, morderia, dormiria amontoada e seríamos felizes para sempre, para sempre. Um dia eu encontro esse menino-capeta vestido de lobo e pergunto qual é o caminho para a ilha dessas coisas mordíveis. Quero também ser regente de um lugar só meu, para onde poderei fugir quando eu acabar mordendo alguém que amo muito.

Estou tão apaixonada que poderia devorá-los.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A brilhante forma de viver

- Papa era... muito parecido comigo? Na aparência, quero dizer - perguntei a tia Clare. Eu sabia a resposta, claro que sabia, mas precisava muito escutar isso de outra pessoa que não fosse Mama.
- Ah, você se parece muito com ele - disse tia Clare - Esse nariz comprido maravilhoso e essas sardas delicadas! Eu soube na mesma hora, no exato momento em que coloquei os olhos em você, se lembra?
- Você o achava bonito? - perguntou-lhe Charlotte.
Tia Clare fez uma pausa antes de responder.
- Não diria que ele tinha uma beleza comum - admitiu ela - Ele era raro demais para isso, uma aparência pouco comum com aquele colorido estranho e aqueles cílios longos. Puxa, Charlotte - continuou ela, sendo ela mesma de novo -, quem se apaixona por alguém bonito? Os bonitos são muito chatos.
[...]
- Você quer dizer que ele era engraçado? Mama costuma dizer que nunca conseguia ficar séria por mais que cinco minutos quando Papa estava vivo. Ela diz que ele a fazia rir mais do que qualquer outra pessoa no mundo.
- Ele gostava das palavras... da forma como podia distorcer seus significados para me fazer rir. Ele tinha uma leveza. É a única palavra que consigo encontrar para descrever. Você também tem isso.
- Como assim?
Tia Clare estendeu a mão em direção ao meu brandy.
- Ele me surpreendia por saber viver tão bem, que é o maior dom que alguém pode ter. Em talento para a vida.
- Quer dizer que ele parecia muito feliz?
- Não apenas feliz - disse tia Clare - Nada tão direto assim.
- O que quer dizer então?
- Ele se sentia à vontade consigo mesmo, ele estava em casa em sua própria pele. Lembro-me de ver a garçonete se animar quando ele perguntou onde ela tinha comprado seus sapatos.
- Então ele era charmoso?
- Mais que isso, também. Não era o fato de ele ser bonito, mas de ele fazer as pessoas se sentirem como se estivessem no lugar certo, na hora certa, quando estavam com ele. Mas acho que ele não tinha consciência disso. Era instintivo, sua brilhante forma de viver.

Trecho do livro A Arte Perdida de Guardar Segredos


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mais um drama adolescente

Nesse final de semana eu decidi fazer um pseudo-retiro espiritual: fiquei desde sexta feira à noite até domingo sem internet. Isso mesmo. Sem nenhuma ligação com o mundo virtual.
Para aguentar tal poço de tédio, eu aluguei oito filmes, entre eles Big Girls don't Cry (Große Mädchen weinen nicht). Bom, filmes sobre adolescentes problemáticos existem aos montes atualmente, mas quem me conhece mais profundamente sabe que adoro esse tipo de roteiro.
Basicamente é a história de duas jovens de 17 anos que são amigas inseparáveis desde os 7 anos. Enquanto Kati não consegue manter um relacionamento sério com nenhum de seus ficantes, tem uma família problemática e seus pais querem que ela se vista como uma freira, Steffi tem uma vida aparentemente perfeita: é bonita, tem um namorado estável e seus pais tem uma relação harmoniosa. Porém Steffi vê o seu mundo cor-de-rosa ganhar tons cinzentos quando ela se depara com seu pai beijando outra mulher em uma casa noturna. A história, então, começa a desenrolar a partir dos planos de vingança da adolescente contra o pai e a namorada, mas tendo como principal vítima a filha da amante.

De início, o filme não promete muita coisa. A música tema açucarada e as duas amigas pulando alegremente em uma cama elástica não predizem o teor dramático da trama. Mesmo a primeira tentativa de vingança de Steffi parece ser infantil e sem grandes repercussões. Porém é exatamente esse o grandes viés do roteiro. Descobrimos as consequencias desastrosas dos atos de Steffi junto com Kati, quando ela se dá conta que a melhor amiga está incontrolável e sem escrúpulos.
Além disso, o filme mostra como no mundo real não existe lealdade incondicional e que o ódio pode passar por cima da amizade de forma simples e fácil. Tudo isso misturado às baladas em clubes noturnos, brigas familiares e relações sexuais desastradas.

Definitivamente, gosto de um drama adolescente. E apesar de eu ter falado que a música tema é açucarada, eu a adorei. :)

Trailler (em alemão)