quarta-feira, 19 de maio de 2010
Eu tive um balão...
terça-feira, 18 de maio de 2010
olhos de ressaca

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.
Dom Casmurro - Machado de Assis
Não sei se tenho feições muiito peculiares, mas ouço os elogios mais inusitados. E gosto deles. O mais comum é dizerem que pareço uma pintura renascentista ou uma mulher vitoriana. Segundo uma amiga, é tudo culpa das bochechas salientes e da boca meio bicuda. A primeira vez que ouvi algo do tipo foi no meu segundo ano de colegial, de um professor de História. Depois a história se repetiu em um sebo da Augusta, quando o vendedor disse que eu parecia uma pintura do Da Vinci. Porém, o elogio que guardo com mais carinho é o de um amigo, que disse que tenho olhos de ressaca, assim como os da Capitu. Não acredito, acho os meus castanhos tão sem vida, mas gosto de pensar que posso ser tempestuosa e tragante, tanto quanto a moça que enfeitiçou Bentinho. Tá bom que não sou a maior fã de Machado de Assis, mas guardo boas lembranças deste quote que já esteve no meu falecido fotolog.
terça-feira, 11 de maio de 2010
the breakfast club
The Breakfast Club, conhecido por aqui como O Clube dos 5, poderia ser apenas mais um filme adolescente. Mas, não, é muito mais que isso. É inquietante, engraçado e, ao mesmo tempo, reconfortante. Enfim, mais um filme que deixa uma sensação em mim. Se boa ou ruim, isso não importa.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
lost at sea, as i should be
The mystery of salt and sea oh ho hoHas never been intriguing oh ho ho
And to me but the sea
Green is set so beautifully
Against your thoughtful face
That I must close my eyes
And turn my face
Still floating soft
I am dreaming and I'm glad I lost
And still with my fingers
I'm drawing circles in the water
In the water
And still, still you're always there
terça-feira, 30 de março de 2010
Reflections of a Skyline
Vídeo lindo. Talvez a melhor definição do que é amar.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
the life fucking hurts...
Sam: I know it hurts. That’s life. If nothing else, It’s life. It’s real, and sometimes it fuckin’ hurts, but it’s sort of all we have.
(Garden State)
De todos os quotes de filme que conheço, talvez este seja com o qual eu mais concordo. Garden State mexeu comigo. Não sei exatamente em que, mas algo em mim mudou. E não é nada ruim, é algo bom, realmente bom. Talvez, apesar de ter vontade de morrer um pouco e esquecer o mundo, vivê-lo também seja uma boa opção.
where the wild things are
Estou tão apaixonada que poderia devorá-los.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A brilhante forma de viver
- Ah, você se parece muito com ele - disse tia Clare - Esse nariz comprido maravilhoso e essas sardas delicadas! Eu soube na mesma hora, no exato momento em que coloquei os olhos em você, se lembra?
- Você o achava bonito? - perguntou-lhe Charlotte.
Tia Clare fez uma pausa antes de responder.
- Não diria que ele tinha uma beleza comum - admitiu ela - Ele era raro demais para isso, uma aparência pouco comum com aquele colorido estranho e aqueles cílios longos. Puxa, Charlotte - continuou ela, sendo ela mesma de novo -, quem se apaixona por alguém bonito? Os bonitos são muito chatos.
[...]
- Você quer dizer que ele era engraçado? Mama costuma dizer que nunca conseguia ficar séria por mais que cinco minutos quando Papa estava vivo. Ela diz que ele a fazia rir mais do que qualquer outra pessoa no mundo.
- Ele gostava das palavras... da forma como podia distorcer seus significados para me fazer rir. Ele tinha uma leveza. É a única palavra que consigo encontrar para descrever. Você também tem isso.
- Como assim?
Tia Clare estendeu a mão em direção ao meu brandy.
- Ele me surpreendia por saber viver tão bem, que é o maior dom que alguém pode ter. Em talento para a vida.
- Quer dizer que ele parecia muito feliz?
- Não apenas feliz - disse tia Clare - Nada tão direto assim.
- O que quer dizer então?
- Ele se sentia à vontade consigo mesmo, ele estava em casa em sua própria pele. Lembro-me de ver a garçonete se animar quando ele perguntou onde ela tinha comprado seus sapatos.
- Então ele era charmoso?
- Mais que isso, também. Não era o fato de ele ser bonito, mas de ele fazer as pessoas se sentirem como se estivessem no lugar certo, na hora certa, quando estavam com ele. Mas acho que ele não tinha consciência disso. Era instintivo, sua brilhante forma de viver.
Trecho do livro A Arte Perdida de Guardar Segredos
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Mais um drama adolescente
Para aguentar tal poço de tédio, eu aluguei oito filmes, entre eles Big Girls don't Cry (Große Mädchen weinen nicht). Bom, filmes sobre adolescentes problemáticos existem aos montes atualmente, mas quem me conhece mais profundamente sabe que adoro esse tipo de roteiro.
Basicamente é a história de duas jovens de 17 anos que são amigas inseparáveis desde os 7 anos. Enquanto Kati não consegue manter um relacionamento sério com nenhum de seus ficantes, tem uma família problemática e seus pais querem que ela se vista como uma freira, Steffi tem uma vida aparentemente perfeita: é bonita, tem um namorado estável e seus pais tem uma relação harmoniosa. Porém Steffi vê o seu mundo cor-de-rosa ganhar tons cinzentos quando ela se depara com seu pai beijando outra mulher em uma casa noturna. A história, então, começa a desenrolar a partir dos planos de vingança da adolescente contra o pai e a namorada, mas tendo como principal vítima a filha da amante.
De início, o filme não promete muita coisa. A música tema açucarada e as duas amigas pulando alegremente em uma cama elástica não predizem o teor dramático da trama. Mesmo a primeira tentativa de vingança de Steffi parece ser infantil e sem grandes repercussões. Porém é exatamente esse o grandes viés do roteiro. Descobrimos as consequencias desastrosas dos atos de Steffi junto com Kati, quando ela se dá conta que a melhor amiga está incontrolável e sem escrúpulos.
Além disso, o filme mostra como no mundo real não existe lealdade incondicional e que o ódio pode passar por cima da amizade de forma simples e fácil. Tudo isso misturado às baladas em clubes noturnos, brigas familiares e relações sexuais desastradas.
Definitivamente, gosto de um drama adolescente. E apesar de eu ter falado que a música tema é açucarada, eu a adorei. :)
Trailler (em alemão)