segunda-feira, 26 de julho de 2010

breve #21

A playlist do meu mp3 player faz eu lembrar desde a época em que eu me entreguei a você, em que eu tentei resistir a você e em que eu comecei a amá-lo. E, a cada parte, eu choro de nostalgia, eu choro de tristeza e eu choro de amor.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Aedh Wishes for the Cloths of Heaven

Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

William Butler Yeats

terça-feira, 29 de junho de 2010

breve #18

Muitos antes de refletirem os meus desejos, os meus sonhos refletem os meus medos

cigarros, música e o contemplação

às vezes ele fazia questão de segurar a mão da melancolia. estimulado pela música que tocava no rádio, tentava pensar em outros coisas além dos problemas profissionais e amorosos. ao apagar um cigarro, seu corpo já pedia outro. era aquela ânsia de mergulhar em si, de sentir-se aprofundar. a fumaça passava por seus pulmões e o fazia tocar o imundo. ao deixar-se levar pelos males, conseguia se enxergar melhor. era assim que funcionava a sua meditação. tragava, expirava, tragava, apagava. o cheiro de tabaco despertava sensações familiares. era o cheiro que exalava do cabelo daquela moça. olhos lânguidos, pele branca, cabelos levemente loiros. não era bonita, mas algo em seu jeito de olhar, em seu sorriso. levantara-se. o corpo magro dentro de uma calça jeans surrada, descalços. as mãos tomaram a posição inicial e rodopiou. o passo não dera certo, mas, também, há quanto tempo não dançava? aumentou o volume da música. Interpol no rádio, melancolia no coração. acendeu mais um cigarro e deixou-se levar por sua contemplação.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Devaneio de uma noite de verão

Ele chamou a atenção dela por causa do livro que lia: Parque dos Dinossauros. A partir daí, a menina, vestida em um vestido florido, não conseguiu deixar de observá-lo. Ele a encantou pela maneira que deixava os ombros caírem enquanto era sacolejado pelo movimento do trem. Compenetrado, o rapaz, dos cabelos negros e olhos tímidos, não percebeu que tinha a atenção completa da garota de seus sonhos. E não notou como ela sorriu, achando graça da forma como ele tentou pegar o marca páginas que deixou cair. A garota pensou em elogiar sua camiseta, aquela da vaca sendo abduzida, mas a timidez lhe amarrou no banco. Em lados opostos do vagão, não se tocavam. Quando levantou o rosto, sentiu como se alguém o tivesse cutucado. Sorriu para ela quando percebeu que estavam sozinhos naquele compartimento. Eram cúmplices sem ao menos se conhecerem. A imaginação voou longe e a garota do vestido florido levantou, o pegou pela mão e começaram a dançar ao meio dos balões, com a batida de The Smiths ao fundo. Some girls are bigger than others... Aprenderia a tocar piano só para mexer as mãos daquele jeito charmoso. As mãos dele, a garota viu, eram de pianista, como as suas. Se apaixonou instantaneamente por elas, queria tocá-las. Estação Patriarca. Moça, chegamos ao fim da linha... Os mesmos olhos tímidos, Parque dos Dinossauros embaixo do braço. Foi apenas um sonho. Sabrina, sua vida não é um filme protagonizado pela Zoel Deschanel.

Apanhado

Vou escrever um diário endereçado ao futuro. Ele será a máquina do tempo que me ligará à posterioridade. Vou escrevê-lo para os meus netos, bisnetos. Sem desenho na capa, sem pauta, largarei a minha alma em palavras e rabiscos.

~*~

Desesperar-me um pouco diante da solidão não me faz mais fraca que ninguém, me faz humana do jeito mais livre que posso ser.

~*~

O corredor era longo demais para percorrer sozinho. Tinha saudades daquele tempo em que, sentar ali e rir, era um descanso pr'alma. Hoje está todo mundo ocupado demais para isso. Ela se sentiu sozinha diante daquelas paredes cinzentas.

~*~

Sinto ciúmes de seu passado, presente e futuro. Sinto ciúmes de todos os seus tempos verbais e de todas as suas flexões do verbo amar. Quem me dera que todas elas fossem para mim.

~*~

Pensar que o amor é a única coisa realmente boa que o ser humano tem a dar ao mundo faz com que eu me sinta egoísta por querer ser a única e querer ter um único.

~*~

Quero um desenho cheio de marcas, palavras, desenhos. Quero um caderno que ninguém possam ler a não ser eu. Quero tornar palpável a minh'alma em palavras.

~*~

Sardas são pontos de personalidade marcados em pele

~*~

Este mundo é carnal demais pra mim. Sou imaterial demais, sou pura incerteza. Talvez, de fato, eu não pertença a este mundo, eu não pertença a nada. Sinto-me só em minha diferença.

~*~

Quem me dera morrer de mojito. Mergulhar-me em rum, hortelã e soda. Sentir-me quente e fresca por dentro, naquela pista de dança vazia. Quem me dera poder ler a sua mente.

~*~

Sometimes I get nervous, when I see an open dor. Are we human or are we dancer?

~*~

Na ponta da pena estremece os corações dos tolos.

~*~

Receber elogios pecualiares era a sua especialidade. O primeiro foi de um professor de História da Arte, dissera que seu rosto parecia o de uma pintura renascentista. Depois, o dono de um sebo exclamou que seu rosto parecia ter saído de um quadro de Da Vinci. Por fim, o gótico lhe dissera que seus traços tinha tons vitorianos. No ônibus, por estes dias, lembrou, então, que, quando criança, um médium dissera que o seu espírito era antigo demais. Talvez, ela realmente não pertencesse àquela época.

~*~

Não entendia um mundo em que aquela mesma pessoa que se lamentava por passar o dia dos Namorados sozinha, nos outros dias do ano orgulhava-se do número de corações em que pisou.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nos meus sonhos eu fujo
Faço as malas e sumo
Vou andando devagar pra você me alcançar
Viro numa esquina e paro no mesmo lugar
Em que eu te conheci
Mas você não estava lá dessa vez
Para me dizer pra onde devo ir
Eu sei que quando anoitece
Nos teus sonhos também estremece
A vontade de fugir
Então siga por ali
Vire aquela esquina e vamos partir

Fuga nº1 - Thiago Pethit