terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Conversa de fila de supermercado

Véspera de Ano Novo. Eu, ao lado de um carrinho abarrotado de salsichas e pães francês, espero a minha vez para passar as compras no caixa enquanto uma velhinha de 90 anos está fazendo o pagamento. A mesma velhinha comenta, olhando para mim, que fará rabanada para os netos. "Nunca comi rabanada", eu digo. "- Ah, mas a minha é muito boa. Mas tem que comer fria!" "- Ah, não. Pra mim, tudo tem que ser comido quente". Ela me encara, passa os olhos do anel de coração vermelho na minha mão esquerda para meu namorado, logo atrás de mim. "-Você é casada?" "-Não, senhora" "- Ah, porque eu ia dizer que até mesmo o marido tem que ser quente, né?" A idosa dá uma risada safada enquanto encara novamente o rapaz atrás de mim. Coisas que só acontecem comigo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Nerds gostam de sofrer

Tenho a teoria de que os nerds gostam de sofrer. Não estou falando daqueles que se dizem nerds, mas os nerds de verdade. Os estranhos, que vivem conectado, que dizem respeitar as mulheres, que baba nas personagens femininas de anime. Todos, sem exceção, já tiveram uma paixão platônica ou quase isso. Eles começam a gostar de uma menina que representa tudo o que eles sempre imaginaram em suas noites solitárias. Eles as vêem como se fosse a deusa eterna, a mulher que define o conceito de perfeição. No entanto, eles ficam perdendo tanto tempo ali, embasbacados, que a menina saca que o cara está a idealizando, começa a perder o interesse e já não faz questão de respeitá-lo. Aí já viu, né? A menina pisa, o cara baba. Já vi muitos amigos nessa situação, perdendo anos de suas vidas por causa de uma garota que, na real, é como todas as outras. O melhor é que, depois de um bom tempo, eles acabam conseguindo outros relacionamentos. Comuns, mas mais saudáveis. E o que acontece? O nerd fica entediado. Ele não quer "apenas" uma garota legal. Ele quer aquela personagem de anime ou aquela garota que se veste de tal jeito. Ou seja, ele quer é sofrer em paixões platônicas eternas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O som do gozo alheio.

Vizinha 1: Com licença, será que a senhora e a sua família poderiam parar de fazer tanto barulho todo dia depois da meia-noite?

Vizinha 2: Só se você parar de gemer alto às 10h.

Vizinha 1: A partir das 8h eu posso fazer o barulho que eu quiser. Após as 22h, lei do silêncio, minha filha.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Conversa de Elevador


Terça-feira. 23h30. No elevador, rumo ao 14º andar.

Mãe: Enquanto esperava vocês, eu vi o guardinha subindo até o 14º andar e não voltou mais. Deve estar lá dormindo.

Vizinha: Hehehe. Boa noite. *sai do elevador*

Pai: Você não deveria ter falado isso na frente da vizinha, agora ela vai fazer uma puta fofoca em seu nome.

Mãe: Não ligo. Ela não paga as minhas contas.

Filho: De quem vocês estão falando? Da 'Peruquenta'?

Nora: Quem é a 'Peruquenta'?

Filho: A moça que saiu do elevador no 1º andar. Ela usa peruca e tudo mais. Você não ouviu a voz dela? *cara de sarcasmo*

Nora: Não. Por que? Ela é homem?

Filho: Não, é CÂNCER.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu e Jane Austen

Tenho uma relação um tanto engraçada com Jane Austen. Escrevo isso depois de assistir, pela quinta vez, a adaptação cinematográfica de Orgulho e Preonceito, livro que li, também, por cinco vezes. Eu o li, pela primeira vez, quando estava no Ensino Médio. Eu devorei toda a bibliografia da escritora, porém, o meu preferido continua sendo a história da família Bennet. Se você me perguntar sobre o enredo, direi que não é nada que você já não tenha visto em comédias românticas por aí. No entanto, esta obra tem três elementos cruciais que faz eu me apaixonar por ela e que decidi elencar aqui:

Keira Knightley como Elizabeth Bennet, no filme Orgulho e Preconceito (2005)


1 - Elizabeth Bennet
Apesar de viver no século XVII, a segunda filha da família Bennet não é nada desmiolada. Ela é inteligente, tem suas próprias opiniões, sabe que não é tão bonita quanto a sua irmã mais velha, Jane, mas, mesmo assim, é tão atraente quanto. E, diferentemente do que muitas mocinhas por aí, ela tem defeitos: é um tanto preconceituosa (no sentido de sempre acreditar apenas nas primeiras impressões) e só perdoa qualquer ofensa a muito custo. Só pelo fato de não ser perfeita, Lizzie ganhou de todas as heroínas.

2 - Os diálogos
Como era comum na época, as pessoas usavam palavras bastante polidas e construções mais elaboradas. Nem por isso, o sarcasmo e a ofensa ficava de lado. O mais legal de Orgulho e Preconceito é, a cada vez que você o lê, você descobre mais uma frase irônica ou ofensiva escondida por trás de palavras tão bonitas.

Carey Mulligan (à esquerda) e Jena Malone como Kitty e Lydia

3 - O ridículo
Você sente vergonha. Muita vergonha das irmãs mais novas de Elizabeth. Você quer trucidá-las, chacoalhá-las até elas perceberem o quão retardadas são. E, o melhor, se você realmente fizesse isso, elas nem ligariam, pois elas estão crentes que estão fazendo o que há de mais normal. Elas não estão nem aí para você. E isso te irrita o tempo todo. Uma curiosidade é que Carey Mulligan, atriz que ganhou destaque após ser indicada ao Oscar de melhor atriz por Educação, estreou no cinema como a Kitty, uma das irmãs desmioladas.

Eu poderia citar, também, o Mr. Darcy. No entanto, como alguns críticos dizem por aí, o personagem é um tanto plano em comparação com a protagonista, Elizabeth. Mas, se quiser saber, mais ou menos, como ele realmente é, tome como parâmetro o Mr. Darcy de O Diário de Bridget Jones, livro um tanto bobo que tem referências muito claras à história de Jane Austen. Outra obra mais recente que é inspirada em histórias da autora é As Patricinhas de Beverly Hills, filme baseado no livro Emma, de 1815.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

breve #22

"Haja hoje para tanto ontem". É a sabedoria das ruas, pichada em um muro na Consolação, de frente à magnitude da avenida Paulista. Haja presente para tanto passado, por favor.

terça-feira, 17 de agosto de 2010