quarta-feira, 3 de março de 2010
breve #13
Não sei porque, mas
em meus sonhos
os balões são sempre amarelos
os choros, so-lu-ça-dos
os beijos são doces e
o (seu) toque, aveludado.
em meus sonhos
os balões são sempre amarelos
os choros, so-lu-ça-dos
os beijos são doces e
o (seu) toque, aveludado.
divã
As unhas meio comidas, o anel predileto no dedo indicador. Lá fora, a cidade passava no início de seu descanso, enquanto a caneta deslizava em garranchos no caderninho. Nunca foi uma garota de contos. Sempre gostou das emoções sentidas, dos beijos beijados, dos abraços dados. Não se importava com o sacolejo do ônibus: a música tocava calma em seus fones de ouvido e usava seus sapatos mais confortáveis. Ela gostava de seu trajeto para casa, era um momento só seu. Era ela, sua playlist infinita, um livro embaixo do braço e o bloquinho de notas. Melhor do que em um divã, na folha em branco, ela se descascava em pingos dos ís e em curvas dos cês.
Mãos
A mão dela encontra a minha e, de imediato, estou sendo guiado. Estamos penetrando a multidão que tomba e troveja, e nossos braços são como a ponte mais frágil, sustentada por nossas mãos. Eu penso, Se ela soltar, está tudo acabado. Se eu soltar, está tudo acabado. E como ela está segurando com muita força, eu seguro bem forte também. Sou jogado para todo lado – sei que amanhã terei hematomas -, mas de algum modo este aperto de mãos está imune. De alguma forma, ficamos juntos. Somos abençoados e estamos Juntos, e o pareamento é um trunfo sobre a solidão, a dúvida e o medo. Estamos passando por isso. Obrigado, Música. Vão se ferrar, lembranças. Obrigado, presente.
Trecho do livro Nick and Norah's Infinite Playlist
terça-feira, 2 de março de 2010
breve #12
desculpa se sou dramática, mas, enquanto fico aqui embaixo deste cobertor, eu e minha cabeça conflitamos. afinal, eu sou a minha maior inimiga.
uma carta para um individuo
te amo, sem saber porque. te odeio por me fazer dizer isso quando estamos cada um em sua cama, e, em vez de um sorriso, lágrimas molhando o rosto. quero ser a sua home. que nem naquele filme que assistimos. te espero aqui com os meus braços abertos para te abraçar. porque, parafraseando a rita, abraçar é encostar dois corações. e quero encostar o meu coração no seu. você me faz mais feliz mesmo com este seu jeito tortinho e eu gosto da sua presença mesmo com este meu jeito implicante. você sempre faz eu rir mais um pouco. a minha tristeza pode ser crônica, mas o seu cafuné me aquece na minha caverna de gelo.
obrigada por tudo.
e um dia surrupio uma camiseta sua só para me fazer companhia nos dias que eu estiver com medo do coelho Frank...
ps: nunca mais me faça te pedir em namoro. quero ser donzela da próxima vez...
obrigada por tudo.
e um dia surrupio uma camiseta sua só para me fazer companhia nos dias que eu estiver com medo do coelho Frank...
ps: nunca mais me faça te pedir em namoro. quero ser donzela da próxima vez...
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