terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Meninas também amam

O chão não lhe parecia tão confortável quanto antigamente. Sua nuca latejava em encontro com o carpete sujo e seu nariz coçava por causa do pó que subia, mas ela não ligava. Dividia os fones de ouvido do mp3 com uma amiga, uma boa amiga, que até pouco tempo lhe estava acariciando a cabeça e dizendo que tudo ficaria bem, que era só "o início da vida adulta". Ah, se aquele sufoco no peito, aquela nebulosa que lhe ocupava a mente era a entrada para a vida de gente grande, ela preferia viver em seu mundinho de gente pequena. Mas, naquele momento, com o sol entrando pela parede de vidro, ela não se importava. Se sentia consolada por aquela pessoa que conhecia há pouco, mas que já havia lhe dado mais apoio do que pessoas que passaram a vida toda com ela. A menina, então, só conseguiu virar o rosto pra expressão adormecida da amiga ao lado e sorrir. Um sorriso molhado, mas grato.

Diálogos

- natália (C) diz:
*alguém me explica?
- natália (C) diz:
*af
Thaís diz:
*é?
Thaís diz:
*eu explico
Thaís diz:
*mas antes vou trocar meu ob
Thaís diz:
*perai
- natália (C) diz:
*AHAHAHHAAHHAHAHAHAHA

domingo, 29 de novembro de 2009

breve #4

a pior parte de enterrar um relacionamento é se livrar de seus restos mortais.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

breve #3

descobri que o choro é o banho da alma

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

breve #2

ela decidiu se apegar ao desapego. afinal, toda garota vadia, um dia foi uma garota magoada.

they made a statue of me

estranho é o seu mundo entrar em um redemoinho, suas emoções ganharem vida nova, sua mente se fechar em um tempestade, as pessoas ganharem novos rostos, o passado perder o significado. e mais estranho ainda é não ter forças para encarar tudo isso, ficar sentado em um sofá velho no meio da bagunça, se deixar levar pelos impulsos mais humanos e infantis. as pessoas perguntarem se você está bem e você simplesmente fingir que nada aconteceu.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

rotina

Todo dia ela faz a mesma coisa. Chega em casa, joga as coisas no sofá, liga o computador, coloca a água pra ferver, abre a porta da varanda. Todo dia ela escolhe uma trilha sonora, abre a janela do quarto, liga o chuveiro e larga a roupa pelo chão. Todo dia ela senta na frente do notebook, lê um pouco, fala um pouco, se entedia um pouco. Todo dia ela acorda esperançosa, almoça cansada e vai dormir derrotada. Todo santo dia é tudo isso. Todos os dias parecem iguais.